Socialismo. A causa e solução de todos os problemas no Brasil?

Socialismo. A causa e solução de todos os problemas no Brasil?

29/02/2020 2 By Rogerio Lemos

No Brasil, milhões de pessoas são favoráveis ao sistema socialista como solução da atual situação miserável que se encontra o país, seja na educação, segurança, sistema político, desigualdade social, economia, dentre outros. E culpam o capitalismo como o causador destes problemas.

Para responder a pergunta do título deste artigo, eu poderia ser simples, rápido e direto, bastaria mostrar números e citações dos países que são socialistas e dos que não são, para assim sabermos qual a real consequência deste sistema em uma nação. Porém, vou aprofundar um pouco mais para melhor entendimento.

Dilma em um congresso do PCdoB. Ao fundo um banner de Lênin, um dos líderes da revolução comunista soviética e Marx, principal ideólogo do socialismo.

Primeiro, o que é socialismo?

É uma doutrina política e econômica que prega a coletivização dos meios de produção e de distribuição, mediante a supressão da propriedade privada e das classes sociais[1].

Olavo de Carvalho pág. 119[2], Resume o ideal socialista como uma atenuação ou eliminação das diferenças de poder econômico por meio do poder político.

Na teoria política marxista, o socialismo é o período de transição entre a abolição do capitalismo e a ascensão do comunismo.[3] Pois ele tem como objetivo dissolver as classes sociais, a fim de acabar com a desigualdade entre ricos e pobres. Para isso, sugere a extinção da propriedade privada, economia planificada, distribuição igualitária de renda, entre outras medidas. Até neste ponto o socialismo é algo chamativo, apelativo e agradável aos ouvidos. Sobretudo é preciso pesquisar um pouco mais sobre como funciona este processo revolucionário, que pretende tornar a sociedade justa e a economia perfeita. Então vamos buscar as origens de seus idealizadores.

Principais Idealizadores do Socialismo: Marx e Engels

Ao contrario do capitalismo que não é uma ideologia mas, sim um sistema econômico que nasceu por conta das necessidades humanas e sociais séculos antes que alguém se lembrasse de formulá-lo em palavras (ler sobre Adam Smith), o socialismo, muito antes de existir já tinha seus ideólogos, que geralmente eram pertencentes a grupos ressentidos e ambiciosos, entre eles Marx que segundo Francis Wheen[4], foi adotado já quando adulto pelo barão Ludwig von Westphalen, aristocrata e seu vizinho em Trier. E Engels que era um capitalista, dono de uma fábrica. (Leia O Comunista de Casaca de Tristram Hunt)[5].

Karl Marx (1818 até 1883) e Friedrich Engels (1820 até 1895), desenvolveram a teoria socialista, partindo da análise crítica e científica do próprio capitalismo. Em primeiro lugar, buscaram compreender a dinâmica do capitalismo e para tal estudaram a fundo suas origens, a acumulação prévia de capital, a consolidação da produção capitalista e, mais importante, suas contradições. Eles acreditavam que o capitalismo seria, inevitavelmente, superado e destruído. A classe trabalhadora seria a classe revolucionária e teria um papel decisivo na destruição da ordem capitalista e burguesa[6].

(O que significa revolução? Segundo o Dicionário Houaiss uma mudança abrupta no poder político ou na organização estrutural de uma sociedade que ocorre em um período relativamente curto de tempo. O termo é igualmente apropriado para descrever mudanças rápidas e profundas nos campos científico-tecnológico, econômico e comportamental humano.)[7]

Como funciona o socialismo?

Como vimos, o socialismo atua em todos os campos da sociedade, pois tem em sua proposta e essência a revolução de todo o sistema politico e sócio-econômico através das lutas de classes. E para que isso ocorra, o socialismo tem de concentrar um poder capaz de enfrentar as elites, ou seja através do poder politico, pois somente através do controle total e a centralização do estado é que se torna possível as reformulações necessárias. A outra opção seria a revolta armada, como aconteceu na União Soviética e Cuba, comandados por Lênin e Fidel Castro/Che Guevara respectivamente.

Agora que já conseguimos entender mais sobre o socialismo, vamos ver se suas propostas realmente são soluções para os problemas brasileiros ou à causa.

Centralização do poder

No tópico anterior vimos que para se tornar uma nação socialista é necessário ter um poder centralizado e alinhado com ideologia socialista. Todo mundo sabe que no Brasil praticamente tudo é centralizado e burocrático, e é aí que mora o problema.

Quando temos, por exemplo, um sistema de ensino centralizado desde a base até a universidade no governo federal, todos os nossos estudantes irão aprender o que o presidente da república ou o partido dele desejem que aprendam, basta que o MEC reformule seu programa de ensino de acordo com as pautas da sua ideologia, sem obrigatoriedade de comprovações cientificas. Os pais dos alunos não tem opção de escolha, nem mesmo de ensino doméstico.

Os países desenvolvidos, principalmente os com os melhores resultados internacionais na educação, possuem um sistema educacional parcialmente ou praticamente descentralizados e/ou liberais, Exemplo, no Canadá onde o governo mal controla a educação, que é descentralizada e varia muito de estado para estado[8], na Finlândia onde os estudos após a educação primária se dividem em sistema vocacional (técnico) e sistema acadêmico.[9]. Nos Estados Unidos a educação é fornecida e controlada primariamente por três níveis governamentais diferentes: federal, estadual e local.[10]

Infelizmente não é apenas a educação que é centralizada ao governo federal no Brasil, mas praticamente tudo, legislação, programas sociais, impostos, cultura, dentre outros. Tudo isso, por menor que seja o problema ou a solução tem que vir de cima. Os estados e municípios possuem mínima autoridade. Gerando assim um sistema sócio-econômico e politico, altamente burocrático, custoso e inchado, pois para administrar um sistema gigantesco deste requer uma enorme estrutura física e milhares de servidores que serão mantidos através dos impostos do povo, logo aumentando a necessidade de gerar ainda mais tributos.

Legendas dos partidos políticos brasileiros

Para termos uma noção ainda maior, sobre qual sistema comanda o nosso país, não poderia deixar de falar sobre as pautas e legendas dos partidos nacionais. Onde a grande maioria são de viés socialistas e até mesmo comunistas, inclusive o PSDB e PT que governaram o país de 1994 a 2018. (Temer do MDB era vice da Dilma, esteve na chapa PT-MDB por dois mandatos, por isso incluo como governo petista).

Outros partidos com legendas expressamente socialistas são: Progressistas, PSB (Partido Socialista Brasileiro), PCdoB (Partido Comunista do Brasil), PSOL (Partido Socialismo e liberdade), PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), PCB (Partido Comunista Brasileiro), dentre outros.[11]

Lula em 2009, comemora e confirma o fato de não haver partido de direita no Brasil. Confira no vídeo abaixo:

Liberdade econômica

Eu poderia dizer que seria coincidência que os 30 países com melhores IDH listados em uma edição da UOL de 2018[12] estão entre os países com mais liberdade econômica do mundo, Índice de 2019 fornecido pela Gazeta do povo[13]. Mas isto seria de uma ingenuidade imensa, visto que trazendo esta “coincidência” para uma comparação na América Latina, temos o Chile como o país de melhor IDH do continente e também a país latino americano com a economia mais liberal.

Como mais exemplos, posso citar, Suíça, Austrália e Irlanda, que segundo a lista mencionada acima ocupam as posições de 2º, 3º e 4º melhores IDHs, e na lista de liberdade econômica ocupam as posições, 4º, 5º e 6º.

No Brasil, país que possui um sistema econômico, sócio-educacional e politico, amplamente totalitário e centralizado está na posição 150º classificado como um país majoritariamente não-livre. Logo não vive sob o sistema capitalista.

O que é liberdade econômica? É a situação em que as pessoas de uma sociedade desempenhando um papel de agente econômico – podem escolher como usar o recurso de que dispõem, seja natural ou físico ou intangível como sua força de trabalho ou sua força de empreendedorismo, de sua propriedade- sem ter de se sujeitar à qualquer compulsão ou coerção de outro agente, seja privado ou do estado, não baseada em lei criada de maneira legal e socialmente reconhecida como tal. Liberdade econômica implica que o agente econômico tem o poder de comprar e vender seus produtos ou seus insumos ou suas propriedades, sejam eles ou elas mercadorias ou bens de produção ou capital, para quem ele quiser desde que ambas as partes, os compradores e os vendedores, concordem sem estarem sendo coagidos ou obrigados por força autoritária.[14] Ou seja vai ao contrario do que prega o socialismo, onde a economia deve ser planificada e controlada pelo estado.

Capitalismo

O que caracteriza um país capitalista é ter “um sistema econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção e sua operação com fins lucrativos. As características centrais deste sistema incluem, além da propriedade privada, a acumulação de capital, o trabalho assalariado, a troca voluntária, um sistema de preços e mercados competitivos“.[15] E principalmente liberdade econômica.

Logo com todas estas informações sobre os dois sistemas econômicos, capitalismo x socialismo, (porém, vale destacar aqui que o socialismo, como vimos, vai muito além da economia, pelo fato de que pretende revolucionar todo o sistema social) chegamos a conclusão de que o Brasil, um país com 400 empresas estatais, de acordo com levantamento feito pelo observatório das Estatais, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), não é nem de perto um país capitalista ou liberal mas, sim um país com características majoritariamente socialistas. Porém, por que uma imensa parcela da população acredita que políticos e partidos defensores dos princípios socialistas irão mudar a realidade do Brasil? Por que estas pessoas acreditam que o socialismo que, como vimos é o principal responsável de amarrar o crescimento das nações,  seria a solução dos problemas brasileiro? Seria então, O socialismo, a causa e solução de todos os problemas do Brasil?

Comente abaixo.

 

 


REFERÊNCIAS:

[1]Newman, Michael. (2005) Socialism: A Very Short Introduction, Oxford University Press, ISBN 0-19-280431-6

[2]Olavo de Carvalho, Livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota” pág. 119.

[3]MARX, K. Glosas críticas marginais ao artigo “O rei da Prússia e a reforma
social. De um prussiano”. Crítica Marxista, Belo Horizonte, n. 5, 1995.

[4]Francis Wheen, jornalista britânico autor de “Karl Marx”, biografia do pensador alemão que está foi lançada no Brasil pela Record.

[5]Tristram Hunt é Professor de história da Universidade de Londres e autor da obra “Comunista de Casaca” que constitui um relato longo e minucioso da vida do pensador alemão Friedrich Engels (1820-1895).

[6]Cartas do Deutsch-Französische Jahrbücher; Marx para Ruge, Kreuznach, setembro de 1843. Link para acesso: https://www.marxists.org/archive/marx/works/1843/letters/43_09.htm

[7]O que é Revolução, conceito, exemplos, Revolução Francesa, Revolução Industrial». SuaPesquisa. Consultado em 1 de julho de 2016.

[8]https://www.immi-canada.com/sistema-educacional-canadense-como-funciona/

[9] https://www.universia.com.br/estudar-exterior/finlandia/sistema-ensino/estrutura-do-sistema-ensino/170

[10]https://estadosunidosbrasil.com.br/perguntas-frequentes/acao-do-governo-na-educacao-nos-eua/

[11]http://www.tse.jus.br/partidos/partidos-politicos/registrados-no-tse

[12]CLIQUE AQUI para ver a lista 2019 de liberdade econômica.

[13]CLIQUE AQUI para ver a lista 2018 de IDH pela UOL .

[14]https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1746

[15]Zimbalist, Sherman and Brown, Andrew, Howard J. and Stuart (outubro de 1988). Comparing Economic Systems: A Political-Economic Approach. [S.l.]: Harcourt College Pub. pp. 6–7. ISBN 978-0-15-512403-5. Pure capitalism is defined as a system wherein all of the means of production (physical capital) are privately owned and run by the capitalist class for a profit, while most other people are workers who work for a salary or wage (and who do not own the capital or the product).

Rosser, Mariana V.; Rosser, J Barkley (23 de julho de 2003). Comparative Economics in a Transforming World Economy. [S.l.]: MIT Press. p. 7. ISBN 978-0-262-18234-8Chris Jenks. Core Sociological Dichotomies. Londres, Inglaterra, Reino Unido; Thousand Oaks, California, US; New Delhi, India. SAGE. p. 383.