Por que não sou socialista?

Por que não sou socialista?

29/10/2020 1 By Paulo Lucas
Por meio de um vídeo em seu canal particular no YouTube, o candidato à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, se propôs a explicar o porquê é socialista. Mediante uma análise do vídeo assumo o desafio de, por meio da dialética, apontar as incongruências no discurso do candidato e assim explicar o porquê não sou socialista.
            ”Onde o capitalismo deu certo? ”. Esta é uma indagação feita por Boulos no início do vídeo e que possui uma resposta bastante simples: Onde foi aplicado. Mas vale lembrar que devemos avaliar o capitalismo por aquilo que ele se propõe a fazer e que é, nas palavras de Mises, proporcionar o progresso do bem-estar material. Como ele mesmo diz, “as políticas sociais, com os meios de que dispõem, podem tornar os homens ricos ou pobres, mas nunca conseguirá torná-los felizes ou satisfazer seus anseios íntimos. Aqui falham todos os expedientes externos. Tudo o que as políticas sociais podem fazer é remover as causas externas da dor e do sofrimento”. Dessa forma, avaliaremos o capitalismo com base naquilo a que ele se destina e para tal, utilizaremos o método do contraste. Sendo o capitalismo um sistema econômico baseado na legitimidade dos bens privados e na irrestrita liberdade de comércio e indústria, basta comparar os países que empregam essas ideias com os que não o fazem. É inegável a diferença na qualidade de vida entre pessoas que vivem em países como a Nova Zelândia (O país com maior liberdade econômica segundo o ranking Doing Business 2020) ou EUA (conhecido como o país mais capitalista do mundo) e em Cuba ou Venezuela. Qual a diferença entre esses dois grupos de países? A dessemelhança se encontra exatamente na legitimidade dos bens privados e a liberdade de comércio e indústria. Assim, podemos dizer que o capitalismo, como um sistema econômico que é, obtém êxito naquilo que se propõe atingir, trazendo melhora econômica e consequente aumento na qualidade de vida.
            Boulos também afirma que o capitalismo cria desigualdades, porém perceba que a desigualdade não constitui de fato um problema. O real problema é a pobreza. Para exemplificar o que estou querendo dizer lhe convido a imaginar dois homens. Suponha que um deles tem uma mansão e o outro dez mansões. Realmente há uma grande disparidade/desigualdade entre eles, mas isso não constitui um problema, pois o que tem “apenas” uma mansão tem o suficiente. Percebe? A suposta desigualdade entre eles não quer dizer nada. Dentro deste mesmo assunto há um estudo muito interessante do Fraser Institute que mostra o quanto é melhor ser pobre em países mais livres economicamente (pela definição, países capitalistas) que em países onde se empregam ideias socialistas, como altos impostos e distribuição de renda. O estudo mostra que tanto nos países mais livres economicamente quanto nos que tentam restringir a liberdade por meio de impostos mais altos e redistribuição de riqueza, os pobres são donos de, praticamente, a mesma parcela econômica (essa fatia ainda é levemente maior nos países mais livres economicamente). Isso mostra a ineficiência das medidas socialistas, como impostos mais altos e redistribuição de riqueza, em levar mais dinheiro para os pobres. Mas o que de fato impressiona nesse estudo é que o nível de renda dos mais pobres difere drasticamente entre os países menos livres economicamente e aqueles com maior liberdade. Nos países mais livres economicamente (capitalistas) a renda dos mais pobres é até oito vezes maior.  Link do estudo:http://lockerroom.johnlocke.org/2012/03/02/poverty-and-economic-freedom/
            ”Ser socialista não significa defender a pobreza ou tirar o pouco que as pessoas conquistaram. Ao contrário, ser socialista é defender a distribuição das riquezas. ”. Essa frase é extremamente contraditória. Boulos diz que o socialismo não busca tirar “o que as pessoas conquistaram”, mas é exatamente isso que significa a “distribuição de riquezas” que ele defende logo em seguida; tirar algo que alguém conquistou e dar para outro que não é o dono. Isto se chama roubo e é injustificável. Um bandido, por exemplo, que diz ter furtado pois tinha um bom uso para o dinheiro é tão culpado quanto qualquer outro.
            ”O capitalismo coloca o lucro acima da vida”. Nesse ponto podemos perceber um erro crasso, pois se assume que buscar o lucro e promover a vida são ações excludentes nos sistemas econômicos. Um fato óbvio é que nos países capitalistas os indivíduos possuem uma vida absurdamente melhor que aqueles que vivem em países não capitalistas. Então, pode-se perceber que o fato de indivíduos buscarem o lucro gera sim uma melhora de vida. A própria afirmação do Guilherme Boulos em si é uma falácia do falso dilema, pois assume que não é possível buscar o lucro e gerar qualidade de vida ao mesmo tempo, o que é uma mentira. Para que um empresário em um sistema de livre mercado ganhe muito dinheiro, é necessário que ele atenda às necessidades das massas, já que pessoas livres para escolher buscam aquilo que traz para elas o maior benefício (ou lucro). Assim o capitalismo é um sistema de “ganha-ganha”, onde quem ganha mais capital é aquele que tem maior procura por seus serviços e que portanto gera maior benefício para os outros. Entretanto, algo que realmente me intriga é se o socialismo realmente coloca a vida acima de tudo como é afirmado no vídeo. No mini manual do guerrilheiro urbano de Carlos Marighella, livro difundido por revolucionários socialistas no Brasil durante o lamentável período da ditadura militar, é defendido, por exemplo, o ataque violento a hospitais, sequestros, terrorismo e execussões. Na Colômbia, um grupo de esquerda conhecido como ELN  é responsável pela maioria dos sequestros no país e está associado até mesmo com o narcotráfico. Assim, podemos ver que na realidade os socialistas nunca se preocuparam com a vida, pois do contrário não seriam responsáveis por tais atos.
Certamente há mais pontos do vídeo que poderiam ser tratados aqui, porém acredito que os anteriormente apresentados são suficientes para explicar porquê não sou socialista e para que o leitor tire suas próprias conclusões.