O Robin Hood tupiniquim, gordo e ambicioso

O Robin Hood tupiniquim, gordo e ambicioso

14/03/2020 2 By Rogerio Lemos

Robin Hood, em resumo rápido e superficial das baladas inglesas, era considerado um herói lendário que, roubava dos ricos para dá aos pobres[1]. É uma história antiga, que teve diversas versões. Parece-me, inclusive, que ganhou uma nova versão, agora em tupiniquim, pois o povo brasileiro acomodou-se perfeitamente nesta ideia e, ver hoje, o Estado como uma espécie de Robin Hood. 

Não é difícil perceber tal situação, basta analisarmos algumas politicas públicas, como o famoso bolsa família.


COMO FUNCIONA O BOLSA FAMÍLIA?

É um programa de transferência direta de renda, direcionado às famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza em todo o País, de modo que consigam superar a situação de vulnerabilidade e pobreza.[2]

Mas eu pergunto: o valor recebido através deste programa, é minimante suficiente para que alguém consiga superar a situação supracitada?


Porém, o Robin Hood brasileiro é diferente dos descritos nas histórias britânicas, este não tira apenas dos ricos, mas de todos os trabalhadores. Visto que a sua atuação é atribuída ao Estado, este que não gera nenhuma riqueza, toda a verba adquirida pelo governo vem de impostos e quanto mais você consumir ou produzir, mais gerar empregos, caso seja, um empresário, ou quanto maior for o seu salário, mais você sofrerá com a tributação, pois em todas estas etapas da sua vida o estado vai está lá, tirando a fatia dele com o lindo e maravilhoso pretexto de dá aos pobres através de programas sociais. Outra diferença desta nova versão do Robin Hood, é que, não será tomado apenas dinheiro, mas também oportunidades. Empregos, por exemplo, como veremos abaixo.

Para que sejam arcados todos os custos de um programa social, como o sobredito, será requerido mais tributação, o que atingirá principalmente os empreendedores, inclusive, os maiores geradores de empregos no país que são os pequenos negócios.[3]

Chegar a conclusão do parágrafo acima é simples, basta um mínimo de esforço para perceber que, apesar de um trabalhador pagar muitos impostos e, esses valores, mesmo que unificado com os de milhões de trabalhadores do Brasil, ainda sim não será suficiente para cobrir todos os valores pagos pelos programas e a máquina estatal montada para tal fim.

Para se ter uma ideia, no Brasil, “o real custo de um funcionário pode chegar até 3 vezes o valor do salário pago ao trabalhador. (…) O salário representa apenas 32% do custo de um membro da equipe. Os outros 68% são equivalentes aos impostos e as atribuições aplicadas aos empregados e empregadores.”[4]

Com um processo burocrático e encargos trabalhistas como o que temos no Brasil, gerar empregos é uma tarefa que só acontece se for realmente indispensável, o empresário só pensará em contratar mais alguém, caso seja a última solução, afinal, contratar um funcionário poderá ter o mesmo custo que contratar três e o trabalhador muitas vezes receberá menos do que o necessário para ter uma vida digna devido aos impostos que estão em todos os produtos que você consume e quanto maior for o salário, maior serão os encargos. E se as empresas contratam menos, mas gente se tornará dependente do tal Robin Hood estatal tupiniquim. 

O CICLO VICIOSO 

Não há meio termo, um país que não empreende, não emprega e se não emprega, não gera riquezas e se não gera riquezas, o povo vive na pobreza. E com mais gente na pobreza, mais necessidades de programas sociais e com mais dependentes deste tipo de assistência, mais impostos serão necessários e com a carência de mais impostos, mais encargos e tributos serão justificados, com uma maior carga tributária para as empresas, menos lucro, logo menos investimentos, que atrai mais demissões, que gera mais pessoas ingressos no bolsa família e retornamos ao loop até acabarmos como a Venezuela ou a China antes de ceder à liberdade econômica para salvar seu povo da fome e minimizar a miséria.

CARIDADE ESTATAL

Já vimos que o processo de geração de empregos no país infelizmente não é uma tarefa simples, e os governos de viés socialistas que tivemos nos últimos anos como, PSDB com FHC e PT com Lula e Dilma, pouco ou nada fizeram para mudar está realidade. Ao invés de estimular a geração de riquezas, criaram inúmeras formas de assistencialismos, tornando uma parcela do povo cada vez mais dependente do estado, em Junho de 2018, 13,7 milhões de famílias eram dependentes do programa bolsa família[3], vale ressaltar aqui que estamos falando de famílias, não de pessoas, se formos contar como indivíduos este número poderá quadruplicar.

A paternalidade do estado quando demonstra que assume para si o dever de “ajudar os pobres”, tirando dinheiro dos demais cidadãos, torna a solidariedade humana algo impensável, afinal, se você estiver andando nas ruas e se deparar com um mendigo você tem todo o direito de pensar, “não era pra ele estar aí, mas sim em um abrigo do governo” e mesmo que você queira dar dois reais ao mendigo, o Robin Hood do estado já lhe tomou este direito de caridade, pois você pagou em impostos quando comprou o feijão ou o arroz, quando abasteceu o carro, quando recebeu seu salário, enfim, em  praticamente qualquer coisa que você tenha consumido ou produzido.

Desta forma a bondade humana, não é  mais direta, mas sim através de programas sociais criados pelo estado Robin Hood, com isso alimentando um imenso sistema burocrático, que só depois de pagar o aluguel dos imóveis, salários dos funcionários, campanhas publicitarias, energia dos estabelecimentos, assessores e políticos e uma infinidade de outras coisas é que, no fim, caso sobre algo, se transforme em um pão seco com café para o necessitado. Mas o Robin Hood Tupiniquim, é gordo e ambicioso, não vai querer se levantar e então vai comer todos os pães recheados com a corrupção.

Como diria Thomas Sowell: “Se você vota em políticos que prometem lhe dar benefícios às custas dos outros, você não tem o direito de reclamar quando eles tomam o seu dinheiro e dão a outras pessoas, incluindo a eles mesmos.”

O PERIGO DA DEPENDÊNCIA DO “ESTADO ROBIN HOOD”

Como vimos acima os programas sociais existem com a justificativa de ajudar os pobres e ou menos favorecidos, ao contrário de países que hoje possuem os melhores IDHs do mundo e um nível baixíssimo de pobreza, os governantes brasileiros, principalmente os dos últimos trinta anos, adotaram como solução, programas que visam manter o cidadão dependente do estado, ao invés de buscarem formas de geração de empregos e consequentemente riquezas ao país, menos burocracia e mais liberdade econômica. E como consequência, o estado tem fundamentada a necessidade de ser cada vez maior, mais centralizado e burocrático.

Quero lembrar que este artigo não é uma crítica aos sistemas de programas sociais e sequer há o intuito de discriminar quem hoje recebe e/ou depende destes tipos de auxílio, pelo fato de que todos devemos ter o direito ao acesso a uma vida digna, que infelizmente nos foi tirado esta possibilidade em troca de um sujeição estatal. O objetivo deste texto é de alertar para os riscos de termos uma nação no qual poderíamos chegar ao impossible point to return, ou seja, ao ponto de estado das coisas no qual é impossível voltar. Afinal, “se tivermos um população onde mais de 50% depende, inclusive, economicamente do estado, quem votará para reduzir o estado?”. [5]  

Com este aval de crescimento sob o pretexto de proteger os mais vulneráveis, o Estado alcançará uma dimensão de grandeza, de custos, que será praticamente inviável retornar ao tamanho razoável, será por isso que os mesmos partidos que, resolveram ir na contra mão do crescimento apoiam um Robin Hood cada vez mais gordo? Mesmo que isto seja insustentável?

Em seu artigo, “Estupidez endêmica” o filósofo Olavo de Carvalho faz a seguinte pergunta: como é possível que a centralização do poder econômico, expandindo-o automaticamente sobre toda a sociedade e investindo-o da força suplementar do aparelho repressivo do Estado, venha a torná-lo menos opressivo e tirânico do que milhares de poderes econômicos parciais e limitados, espalhados como farelo, desprovidos do poder de polícia e em perpétua concorrência uns com os outros?[6]

A resposta é obvia, não! A história da humanidade já mostrou inúmeras vezes que, todas as tiranias que já existiram no mundo e as que ainda existem, consistem primeiramente de uma  nação ou sociedade dependente e centralizada pelos seus governantes. E isto não é uma mera coincidência mas sim, uma indiscutível razão de que nenhuma política de transformação da sociedade pode ser realizada sem o controle estatal da atividade econômica. Basta estudar sobre como Hitler formou a Alemanha Nazista, como Mussoline transformou a Itália fascista, enfim, exemplos não faltam.

A centralização do poder econômico é, talvez, o principal passo para a tomada do estado por dentro. Pelo fato de que uma população altamente dependente do sustento estatal, facilmente poderá ser manipulada de que deve algo ao seu governante e não percebe que, o Robin Hood está apenas dando com uma mão e tirando com a outra, dificultando qualquer possibilidade do indivíduo tornar-se independente. Com o controle econômico em mãos e com a população na miséria é muito mais fácil aparecer os salvadores da pátria com discursos populistas, dizendo que são contra privatizações e a favor de mais e mais investimentos públicos. Dando mais margem aos desvios. 

Outro ponto que cabe destaque, quanto ao alto percentual de famílias que carecem de programas como o bolsa família, é seu uso como compra de votos, vejamos abaixo um trecho do depoimento de Helio Bicudo, um dos fundadores do PT.[7]   

Com o Estado já tendo a obrigação do sustento da família, da cultura e da educação, os políticos sentem-se ainda mais emponderados em intervir em outras áreas da vida do cidadão, gerando assim, ao passar dos anos um comodismo no povo que, no final das contas, desejaria empurrar todas os seus compromissos para o Estado. E com isso os parlamentares sorriem, porque assim, quanto mais assistencialismos, direitos e leis são anunciadas, mais repartições burocráticas são criadas e mais funcionários são contratados (cabides de emprego), mais impostos e enfim, a liberdade diminuindo cada vez mais.

P.S: Não deixe de ver a declaração do Hélio Bicudo no vídeo acima.


REFERÊNCIAS:

[1]https://escola.britannica.com.br/artigo/Robin-Hood/487857

[2]http://www.caixa.gov.br/programas-sociais/bolsa-familia/paginas/default.aspx#:~:text=%C3%89%20um%20programa%20de%20transfer%C3%AAncia,%C3%A0%20educa%C3%A7%C3%A3o%20e%20%C3%A0%20sa%C3%BAde.

[2]https://www.jornalcontabil.com.br/quanto-custa-um-funcionario-para-uma-empresa/

[3]http://www.se.agenciasebrae.com.br/sites/asn/uf/AL/pequenos-negocios-sao-os-maiores-geradores-de-emprego-do-pais,b32499e5eda16610VgnVCM1000004c00210aRCRD

[4]http://mds.gov.br/area-de-imprensa/noticias/2018/junho/bolsa-familia-beneficia-mais-de-13-7-milhoes-de-familias-em-junho

[5]

[6]http://olavodecarvalho.org/estupidez-endemica/

[7]https://www.camara.leg.br/deputados/73453/biografia