JORNALISMO: A profissão em comum dos Ditadores

JORNALISMO: A profissão em comum dos Ditadores

25/03/2021 0 By Rogerio Lemos
É muito comum, quase que unanimidade, as pessoas acharem que a ditadura é iniciada por militares, isso se dá muito pelo que a velha mídia mostra, o que chamamos de moldar o imaginário.
Seja em filmes, novelas, revistas, a encenação ou a representatividade é sempre de um militar, ou de um homem vestido com uniforme militar. Mas será mesmo que isso é verdade? Para mostrar o outro lado da moeda é preciso saber de algo, como os militares são doutrinados de acordo com a ideologia positivista, que defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro.
De acordo com os positivistas, somente pode-se afirmar que uma teoria é correta se ela foi comprovada através de métodos científicos válidos. Os positivistas podem descartar qualquer debate com outras áreas de conhecimentos, reduzindo a sociedade a uma mera experiência de laboratório. Para eles, o progresso da humanidade depende exclusivamente dos avanços científicos, seja ele qual for. Portanto, repetem muito a frase: “só estou cumprindo a lei”. E ignoram o ponto de vista conservador perante a formulação das leis que se sustentam na premissa de que, para que uma lei seja válida, primeiro devemos debater sobre ela e analisar a sua moralidade, ética, justificativa e lógico, seus efeitos colaterais em curto, médio ou longo prazo. Desta forma, os militares acabam virando fantoches de quem está no poder, logo controlando toda a “ciência” e formulando as leis, por isso, na Alemanha do nazional Socialismo (Nazismo), por exemplo, eles respeitavam os absurdos autoritários de Hitler, visto que estes não se importavam se uma lei, como as do Nazismo, eram morais e éticas ou não.
Então a representação dos militares pela mídia esconde uma verdade cruel: a de que eles estão apenas cumprindo ordens. Mas de quem são essas ordens?
No início do século passado tivemos muitas revoluções armadas que, como qualquer outra, acabaram em ditaduras e genocídios, como a Revolução Russa idealizada pelo socialismo de Lênin. Mas estes tipos de revoluções armadas geraram muita repercussão negativa obviamente, e os demais países já estavam alertas do que poderiam surgir. Foi então que surgiram diversos outros intelectuais socialistas adoradores de ditadura, e idealizaram outras formas de implantar uma sistema totalitário, desta vez, não mais com a força da revolução armada, mas sim de uma forma mais sutil que consistiria em moldar, gradativamente, o imaginario do povo, que dessa forma iria implorar, mesmo que sem saber, pela ditadura — a revolução cultural.
Agora a nova maneira de implantar o totalitarismo já estava preparada, e só carecia de ferramentas para a sua aplicação, teria que ser algo que todos pudessem ler (visto que naquela época ainda não existia a TV e o rádio também era escasso), e nada mais útil do que o jornal impresso para que as ideias fossem difundidas gradativamente em forma de narrativas e mentiras, que ao longo dos anos foram ainda mais aprimoradas.
O próprio socialista Antônio Gramsci estabeleceu seu próprio Jornal radical, A “Nova Ordem”; para efeito de informação Karl Marx também trabalhou em jornais e até fundou um.
Vladimir Lênin, que foi responsável por milhares de mortes na Rússia, também via o papel fundamental que o jornal possuía para atrair pessoas para revoluções, em um exame de “Por onde começar?”, o texto do socialista que antecede “Que fazer?” –outra obra dele, no debate, deixa isso evidente. Para Lenin:

O jornal não é apenas um propagandista coletivo e um agitador coletivo. Ele é, também, um organizador coletivo. Neste último sentido pode ser comparado com os andaimes que são levantados ao redor de um edifício em construção, que assinala seus contornos, facilitam as relações entre os diferentes pedreiros, ajudam-lhes a distribuírem as tarefas e a observar os resultados gerais alcançados pelo trabalho organizado” (LCW, v. 5, p. 17).

Entretanto, ao pesquisar a ocupação dos ditadores modernos, a profissão mais comum entre eles é a de jornalistas, seguido de professores e escritores. Todos são revolucionários, mas isso não é uma ocupação e é assunto para um outro texto. Vamos a lista:
Stalín: Ativista, Autor, Revolucionário, Soldado, Politico, Jornalista — sim Joseph Stalín tinha um editorial no Jornal Pravda, fundado por Lênin.
Polpot: Revolucionário, Político e Professor.
Mussolini: Professor, Romancista, Jornalista, Escritor e Político. O grande amigos de Lenin, Mussolini trabalhou em um jornal socialista onde publicava sua série literária que acabou sendo transformada em livro em 1908. O romance “A amante do cardeal”, é considerado piegas pelos críticos literários. O Duce continuou escrevendo em jornais de cunho socialista até fundar sua organização fascista em 1919.
Mao Tse-tung: Revolucionário, Bibliotecário, Filosofo, Político.
Kim Il-sung: Não há muita literatura sobre a vida do ditador norte-coreano, apenas que ele. Kim se filiou ao Partido Comunista da China. Com eles, Kim teria participado de atividades anti japonesas. Em 1935, ele se juntou ao Exército do Norte e lá conheceu o homem que viria a ser o seu mentor, Wei Zhengmin.
Adolf Hitler: Autor, Politico, Pintor, Revolucionário, Soldado. Em 1920 Hitler havia comprado para seu partido o jornal “Völkischer Beobachter”  que era editado pelo redator anti-semita e ideólogo nazista Alfred Rosenberg, o jornal era especializado em hipérboles curtas sobre os temas favoritos dos nazistas: a narrativa da suposta crueldade do mundo judaico; neste jornal, Hitler também escrevia suas ideias. Joseph Goebbels, O braço direito de Hitler, também era jornalista.
Fidel Castro: Revolucionário, Advogado, Estadista, Jogador de Beisebol mas foi reprovado no teste para uma vaga em um time da liga dos Estados Unidos, país em que Castro sempre fora fascinado. Fidel também escrevia no jornal cubano diário La Palabra. O ditador também  uniu-se a jovens que editavam o periódico mimeografado clandestino, Son los Mismos, sugeriu a troca de seu nome pelo de El Acusador e foi coeditor desse novo órgão, onde assinou seus trabalhos apenas com seu segundo nome, Alejandro. Este mesmo pseudônimo utilizaria mais tarde em suas correspondências e mensagens, mais tarde viria a fundar, junto com o Ditador tupiniqueim, Lula da Silva o Foro de São Paulo, convenções secretas que visavam transformar a America Latina em uma espécie de união soviética — a URSAL União das Republicas Socialistas da América Latina.
Nguyễn Minh Triết: Professor e Politico
Che Guevara: Revolucionário, Médico, Escritor. O matador de negros, gays e pobres, Che Guevara, organizou a fundação de um periódico, cuja impressão foi possível em gráfica montada com equipamentos levados a lombo de burro e em várias viagens clandestinas para o quartel-general da guerrilha comandada por Fidel. Logo depois, um passo ainda mais audaz: a fundação da Rádio Rebelde, também em território liberado de Sierra Maestra. A Rádio Rebelde desceu da Sierra Maestra na ponta do fuzil e existe atualmente, continua coerentemente fazendo jornalismo revolucionário. Após a tomada do poder, Che continuou tomando iniciativas como comunicador, era extraordinariamente consciente da imperiosa necessidade de travar a batalha das ideias.
Hugo Chavez: aqui temos o único que seguiu carreira militar, visto que Stalín e Hitler foram apenas soldados, pois naquela época suas nações estavam em guerra e quase sempre os jovens são obrigados a se alistarem. A entrada de Hugo Chávez para o exército venezuelano deu-se, principalmente, pelo seu desejo de seguir a carreira de jogador profissional de beisebol, esporte muito popular no país. Isso porque o exército venezuelano possuía grandes profissionais da área e lhe daria condições de alcançar seus objetivos. Porém Chavez também era revolucionário, Politico, crítico de jornal e pasmem! Ativista dos direitos humanos. Chavez também era casado com a jornalista Marisabel Rodríguez.
Maduro: Político e Motorista de ônibus.
Como vimos o jornalismo e a ditadura estão altamente interligados, um dos motivos é que o Jornalismo, com o espectro de imparcial, consegue ser uma ferramenta genial para manipular as pessoas a acreditarem em utopias socialistas.
Como bem escreveu Antônio Gramsci:
Os jornais são aparelhos ideológicos cuja função é transformar uma verdade de classe num senso comum, assimilado pelas demais classes como verdade coletiva –isto é, exercer o papel cultural de propagador de ideologia”.