EUA, culpado ou inocente?

EUA, culpado ou inocente?

Se você vive no Brasil, você já percebeu que a mídia , escolas, livros didáticos e demais entidades formadoras de opiniões brasileiras (na verdade, mundial), possuem um certo ódio pelos Estados Unidos, o que acaba por influenciar as pessoas. Como, os motivos de Cuba e  Venezuela terem se tornado nações miseráveis são atribuídos aos americanos , por conta das sanções comerciais. 

Se você ainda não percebeu o que foi dito no paragrafo anterior, pare para pensar por dois minutos e, se mesmo assim, o seu  processo cognitivo ainda não aflorou para a percepção acima, vou lhe ajudar.

Existem diversos casos que serão de grande auxilio, como, 1º e 2º Guerra Mundial, Guerra Fria, das Coreias e Vietnã, por exemplo. Entretanto, temos um caso bem recente, ocorrido em 2020, quando Donald Trump, em resposta aos ataque terroristas Iranianos na embaixada americana, no Iraque (ataques esses que foram poucos divulgados nos nos principais veículos de comunicação), deu a ordem para abater Qassim Suleimaini, líder terrorista e general Iraniano. A esmagadora maioria dos noticiários do mundo, tentaram a todo custo santificar o terrorista do Irã e por a culpa de irresponsabilidade em Trump. Para comprovar isto, basta “goolgar”* sobre estas noticias, quase nenhum veículo de comunicação se referia a Qassim Suleimaini como terrorista mas, apenas como general.

As revistas, jornais e TV´s ensaiaram um cenário de 3º Guerra Mundial, que teria sido inciado pelo presidente americano, até que todos se calaram quando o Irã abateu um avião ucraniano com 86 pessoas a bordo.[1] As manchetes eram em sua maioria: “Avião caiu no Irã.”

Capa da revista Veja, incluíram até a imagem de Bolsonaro.

Bom, mas a finalidade deste artigo é, se realmente o Estados Unidos é o que fantasiam.

Imagine-se hoje, você sendo um juiz de direito. De um lado, no banco dos réus, você tem um senhor de cabelos na altura dos ombros e grisalhos, com uma cartola branca na cabeça, circulada por uma faixa azul e estrelas brancas, um cavanhaque comprido do tamanho de um palmo e com uma vestimenta irreverente, um terno azul e uma camisa por dentro de cor branca. Como seu advogado, a história.

Como antagonistas, você tem, a sua esquerda, acusadores, todos de aparência desleixadas, óculos de grau redondos, com as barbas não aparadas, cabelos meios revoltos, tatuagens nos braços e pescoços e camisas vermelhas, em sua maioria, estampadas um rosto de um homem com uma boina olhando ao horizonte.

Vamos aos fatos da acusação e a história como defesa.

1º Guerra Mundial

Entre as causas da guerra incluem-se as políticas imperialistas estrangeiras das grandes potências da Europa. Em 28 de junho de 1914, o assassinato do arquiduque Francisco Fernando da Áustria, o herdeiro do trono da Áustria-Hungria, pelo nacionalista iugoslavo Gavrilo Princip, em Sarajevo, na Bósnia, foi o gatilho imediato da guerra, o que resultou em um ultimato da Áustria-Hungria contra o Reino da Sérvia.[2]

Quem eram os Estados unidos nesta época?

Antes da guerra, os Estados Unidos defendiam a política de “portas abertas” como a melhor solução para a forte concorrência imperialista. Pois o País ainda não era uma grande potência, apesar de que seu desenvolvimento econômico interno estava em constante crescimento. Desta forma o país ainda mantinha a sua neutralidade quanto a grande guerra e tentavam negociar a paz.[3]

Porém, mais a frente diversos motivos levariam os EUA entrar na guerra, como, quando o U-boot alemão U-20 afundou o navio britânico RMSLusitania com 128 estadunidenses entre os mortos. E quando um ministro Alemão, Arthur Zimmermann, convidou o México para se juntar à guerra como aliado da Alemanha contra os Estados Unidos no que ficou conhecido como “Telegrama Zimmermann”. Então o presidente Wilson pediu por uma guerra contra a Alemanha, o que o Congresso dos Estados Unidos declarou em 6 de abril de 1917.[3]

A presença dos EUA foi decisiva para a vitória da Entente, pois pegou os alemães e italianos desgastados, após 3 anos de guerra.

2º Guerra Mundial

Como na Primeira Guerra, os EUA também manteve-se neutro nos primeiros dois anos, Durante todo esse período, o Estados Unidos tomou medidas para ajudar a China e os Aliados Ocidentais. Porém, tudo mudou depois que os Japoneses, aliados dos Alemães e Italianos, tomaram a decisão de atacar Pearl Habor. [4]

O Ataque a Pearl Harbor foi um ataque militar surpresa da Marinha aérea contra os Estados Unidos[5]. O Império do Japão pretendia o ataque como uma ação preventiva para impedir a Frota do Pacífico dos Estados Unidos de interferir em suas ações militares planejadas no sudeste da Ásia.

A partir daí os Estados Unidos se convertem em uma economia de guerra. Reconstroem sua frota e fabricam em série aviões, canhões e meios de transporte. Todos os homens entre 20 e 40 anos são mobilizados. A entrada dos americanos foi fator primordial para a vitória dos Aliados (Inglaterra, França, Rússia), os norte-americanos possuíam um forte e organizado exército e uma enorme capacidade bélica. A primeira vitória estadunidense durante a Segunda Guerra Mundial aconteceu na Batalha de Midway em 1942, derrotando a marinha japonesa.

No ano de 1943, os Estados Unidos enviaram um grande contingente de soldados norte-americanos para a África, mas especificamente para o Egito, onde venceram as tropas alemãs na Batalha de El Alamein. Outra importante participação dos EUA na Segunda Guerra foi o desembarque na Normandia (França), juntamente com os aliados. Venceram o exército alemão e a cidade de Paris voltou para o controle da França, antes dominada pelos alemães.

 A guerra na Europa terminou quando a Alemanha nazista assinou o acordo de rendição em 8 de maio de 1945, mas a Guerra do Pacífico continuou. 

NAGASAKI E HIROSHIMA

Juntamente com Reino Unido e China, os Estados Unidos pediram a rendição incondicional das forças armadas japonesas na Declaração de Potsdam em 26 de julho de 1945, ameaçando uma “destruição rápida e total”. Em agosto de 1945, o Projeto Manhattan dos Aliados tinha testado com sucesso um artefato atômico e produzido armas com base em dois projetos alternativos. O 509º Grupo Composto das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos foi equipado com aeronaves Boeing B-29 Superfortress que poderiam ficar em Tinian, nas Ilhas Marianas. A bomba atômica foi lançada sobre Hiroshima em 6 de agosto de 1945, seguido por uma explosão sobre a cidade de Nagasaki em 9 de agosto.

Em 15 de agosto, poucos dias depois do bombardeio, o Japão anunciou sua rendição aos Aliados.

GUERRA FRIA

Foi um período de tensão geopolítica entre a União Soviética e os Estados Unidos e seus respectivos aliados, o Bloco Oriental e o Bloco Ocidental.[6] O Ocidente era liderado pelos Estados Unidos e por outras nações do Primeiro Mundo do Bloco Ocidental que eram geralmente democráticas liberais, O Oriente era liderado pela União Soviética e seu Partido Comunista, que tiveram influência em todo o Segundo Mundo.[7]

União Soviética buscava implantar o socialismo em outros países para que pudessem expandir a economia planificada, partido único (Partido Comunista), igualdade social e falta de democracia. Enquanto os Estados Unidos, a outra potência mundial, defendia a expansão do sistema capitalista, baseado na economia de mercado, sistema democrático e propriedade privada.[8]

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o contraste entre o capitalismo e socialismo era predominante entre a política, ideologia e sistemas militares. Apesar da rivalidade e tentativa de influenciar outros países, os Estados Unidos e a União Soviética não se conflitaram com armamentos.

A falta de democracia, o atraso econômico e a crise nas repúblicas soviéticas acabaram por acelerar a crise do socialismo no final da década de 1980.

Guerra da Coreia:

Após a Revolução Maoista ocorrida na China, a Coreia sofre pressões para adotar o sistema socialista em todo seu território. A região sul da Coreia resiste a invasão vindo do norte e solicita apoio militar dos Estados Unidos. A guerra dura dois anos e termina, em 1953. A Coreia do Norte ficou sob influência soviética e com um sistema socialista, enquanto a Coreia do Sul manteve o sistema capitalista.

Guerra do Vietnã

Foi oficialmente travada entre o Vietnã do Norte e o governo do Vietnã do Sul. O exército norte-vietnamita era apoiado pela União Soviética, China e outros aliados comunistas, enquanto os sul-vietnamitas eram apoiados pelos Estados Unidos, Coreia do Sul, Austrália, Tailândia, e outras nações anti-comunistas pelo mundo.

A guerra aumentou ainda mais em 1964, após o polêmico incidente do Golfo de Tonkin, no qual um destróier norte-americano teria entrado em conflito com as naves de ataque rápido do Vietnã do Norte.[9]

A partir de 1969, os Estados Unidos começaram o processo de “Vietnamização”, que visava melhorar a capacidade militar do Vietnã do Sul de lutar a guerra por si só, sem apoio externo. Os americanos esperavam assim poder reduzir sua participação no conflito sem ter que comprometer o objetivo estratégico máximo de impedir a expansão do comunismo na região, transferindo a responsabilidade de lutar para os próprios sul-vietnamitas. Apesar de anos de tutela e ajuda estadunidense, as forças do Vietnã do Sul não foram capazes de suportar a ofensiva comunista e o país desde então vive sob o regime totalitário do socialismo.[10]

Bom, vimos acima, resumos de alguns confrontos históricos em que os EUA participaram durante o século XX, o que foi suficiente para que surgissem diversas instituições anti-americanas ao redor do mundo, inclusive, dentro do próprio país e no Brasil, sempre com discurso de que a causa de quase todos os problemas mundiais são causados pelo imperialismo americano e que a razão de todas as guerras são por interesses da terra do tio Sam. O objetivo deste artigo não é demonizar e muito menos santificar os Norte-Americanos, mas sim, mostrar a realidade.

Afinal, hoje você é o juiz e, com base nos acontecimentos históricos, qual a sua sentença? EUA, culpado ou inocente?

 

 

*goolgar = termo pejorativo para fazer pesquisas na internet via Google.

 

[1] https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51036866

[2] Taylor 1998, pp. 80–93 ; Djokić 2003, p. 24

[3] “Text Of The Declaration Of War Against Germany, World War I” The National Center for Public Policy Research website. Acessado em 14 de julho de 2007.

[4]  Shannen Bradley (21 de março de 2014). «Pearl Harbor». Consultado em 31 de Janeiro de 2020.

[5]  Worth, Roland H., Jr. (27 de janeiro de 2014). No Choice but War: The United States Embargo Against Japan and the Eruption of War in the Pacific. Jefferson, North Carolina: McFarland, Incorporated

[6]  Lewkowicz, Nicolas (2018). The United States, the Soviet Union and the geopolitical implications of the origins of the Cold War. [S.l.: s.n.]

[7] Jones, Geoffrey (23 de janeiro de 2014). «Firms and Global Capitalism». In: Neal, Larry; Williamson, Jeffrey G. The Cambridge History of Capitalism: Volume 2, The Spread of Capitalism: From 1848 to the Present. [S.l.]: Cambridge University Press. pp. 176–79.ISBN 

[8] Roht-Arriaza, Naomi (1995). Impunity and human rights in international law and practice. [S.l.]: Oxford University Press. 

[9] Koven, Steven G. (18 de maio de 2015). Responsible Governance: A Case Study Approach. [S.l.]: M.E. Sharpe. pp. 93–. ISBN 978-0-7656-2932-6

[10] Kalb 2013.