Dinamarca é socialista?

Dinamarca é socialista?

24/07/2019 0 By Wlamir Lazaro

Otto Brøns-PetersenPragerU

Economista do Centro de Estudos políticos de Copenhagem, Dinamarca

Sou um cidadão da Dinamarca, a “Disneylandia” do Socialismo, onde todo mundo é feliz e saudável.

Esqueça União Soviética, Cuba, Venezuela e todos os países Marxistas que implementaram o socialismo equivocadamente. A Dinamarca é um modelo a ser seguido.

Só há um pequeno problema: Isso é uma fantasia. Se fosse verdade, a Dinamarca seria um país socialista. Mas não é.

E se fosse socialista, seria uma “Venezuela” há muito tempo.

Desculpe trazer essa notícia ruim a todos os fãs do socialismo, mas é a verdade. Sim, é verdade que a Dinamarca tem altos impostos e enormes gastos governamentais (características chaves do pensamento socialista), mas em quase todos os outros aspectos, a Dinamarca é um país de livre mercado e possui uma das mais fortes proteções aos direitos privados do cidadão em todo o mundo, e também é um lugar extremamente simples para abrir um novo negócio.

De acordo com o Banco Mundial, há menos burocracia na Dinamarca do que em qualquer outro país do mundo (exceto a Nova Zelândia e Singapura), e o mercado de trabalho também é menos regulamentado do que em muitos outros países.

Outra coisa que provavelmente você não sabe… Não há salário mínimo na Dinamarca. Não surpreende então – ou talvez seja surpreendente, dada toda desinformação a respeito, que a Dinamarca seja constantemente considerada uma das economias de mercado mais livre do mundo pelo Instituto Fraser do Canadá e do The Heritage Foundation.

Se a Dinamarca não é Socialista, o que ela é então? A resposta é simples: É um pequeno país capitalista, cujos cidadãos pagam um percentual enorme de impostos, em troca de uma grande quantidade de benefícios.

Aí você se pergunta… Mas o que há de errado nisto? Em resposta, podemos dizer que se o governo precisa devolver uma grande quantidade de benefícios é necessário que a população produza riqueza suficiente para pagar altos impostos e sobrar o suficiente para ter (e manter) uma vida confortável. E isto é possível somente em uma economia de mercado totalmente livre.

Um breve histórico da Dinamarca

Dinamarca assim como seus vizinhos escandinavos, Suécia e Noruega, apresentaram uma notável recuperação econômica após a segunda guerra. A combinação de alta taxas de produtividade do trabalhador e baixas taxas de imposto, geraram muita riqueza para o país.

Como em outro países, a Dinamarca tornou-se rica antes de gerar bem estar social. A Dinamarca nos anos 50, já possuía um dos mais altos padrões de vida da Europa, inclusive alcançando o mesmo nível de qualidade de vida Americano no fim dos anos 70, sendo assim, entre o final dos anos 60 e início dos anos 70, a classe política Dinamarquesa começou a buscar meios para fazer uma melhor distribuição de renda, porém o preço pago por este experimento social foi enorme. A expansão dos gastos públicos levaram a enormes crises econômicas, o débito do tesouro disparou, e foram necessárias décadas implementando reformas estruturais e reduzindo benefícios para conseguir reorganizar a economia. Tais fatos provavelmente você nunca soube em relação ao “Modelo Econômico Dinamarquês”.

O aumento acentuado de impostos e de gastos do governo contribuiu para a criação de um partido de “contrários a pagamento de impostos” chamado “Fremskridtspartiet”. Embora o partido não exista mais, o desejo por redução de impostos, ainda é muito grande.

Aposentadoria

É importante entender que o padrão do “estado de bem-estar social” começou inicialmente com pagamentos de pensão do governo para idosos. Atualmente os planos de previdência privada estão muito maiores do que o equivalente a previdência governamental. A Dinamarca está gradualmente saindo do modelo de Seguridade Social Americano. O tão propalado “modelo socialista” da Dinamarca está “empurrando” a responsabilidade pela aposentadoria, para seus próprios cidadãos.

E em relação a saúde – é grátis, certo?

Nada é grátis. Dinamarqueses pagam por assistência médica com altos impostos. Planos de saúde privados também existem e estão se tornando cada vez mais popular devido às grandes filas de espera e pela qualidade dos serviços médicos governamentais.

Mas a educação é gratuita, certo?

Outro aspecto em relação ao “grátis” é que não necessariamente é o ideal. Praticamente uma em cada cinco famílias preferem colocar seus filhos em escolas particulares, pagando o custo do próprio bolso.

O ensino superior é gratuito e incluem auxilio moradia, mas isso tem originado um crescente problema, muitos formandos tem tentando permanecer “alunos” para poder continuar com a ajuda de custo do estado – esse é um dos problemas que um socialista não gosta de falar.

E de novo, nada disso é “gratuito”. Tudo tem um preço. Em média o Dinamarquês gasta 50% de sua renda em impostos diretos e indiretos e ganha cerca de 15% menos do que a média americana. Retirando-se todos os impostos, o cidadão americano médio tem cerca de 27% mais renda disponível que um cidadão dinamarquês.

Resumindo

A Dinamarca tem muito a ensinar, mas um modelo socialista definitivamente não é um deles.