Sir Roger Vernon Scruton, considerado um dos maiores pensadores modernos, onde possue sua classe britânica e inteligência fora do comum como características marcantes, nasceu em 27 de fevereiro de 1944 em Buntingsthorpe, Lincolnshire. Filho de Jhon Jack Scruton, um professor de Manchester, e de Beryl Claris Scruton, que passava seus dias, ora tricotando, ora lendo livros de fantasia. A paixão de Beryl pela literatura romântica era conhecida de todos, e por estes livros produzirem um ideal de vida a qual, seu marido Jack não compactuava, a esposa e os filhos possuíam uma relação complicada com este. Scruton mesmo afirmou sobre a complexidade da relação em Gentle Regrets: “Os amigos vêm e vão, passatempos e feriados passam pela sombra da alma como a luz do sol em um vento de verão, e o anseio pelo afeto é cortado em cada ponto pelo medo do julgamento.”     Sua família viveu por um tempo na cidade de Marlow, distrito de Wycombe, e depois em Hammersley Lane, em uma casa geminada no estilo “pebbledashed” (etilo de casa inglesa) na cidade de High Wycombe.
Roger fora educado na Royal Grammar School, High Wycombe, de 1954 a 1962, da qual acabou sendo expulso, por causar um pequeno acidente numa peça de teatro — pouco tempo depois de haver recebido uma bolsa de estudos em Ciências Naturais na Universidade de Cambridge, através de seu bom desempenho acadêmico.
No seu primeiro dia de aula, acaba por mudar sua matéria de Ciências Naturais, para Ciências Morais. Então em 1865 licenciou-se nesta área, e já em 1967 tornou-se Mestre em Artes pela Cambridge Jesus College, e também tornou-se doutor por meio de sua tese sobre  Estética. Scruton é autor de um documentário fenomenal sobre a Beleza. (Clique aqui para assitir)
Ainda em 1967 teve seu primeiro contato com o conservadorismo. Durante uma visita que fez a França, em meio aos protestos estudantis de 1968 em Quartier Latin, quando, vendo os alunos destruírem coisas, revirarem carros e provocarem brigas, o mesmo sentiu uma indignação política que relatou mais tarde:

“De repente percebi que estava do outro lado. O que eu vi foi uma multidão rebelde desordenada de hooligans autoindulgentes de classe média alta. Quando eu perguntei aos meus colegas o que eles queriam, o que eles estavam tentando alcançar, tudo o que eu recebi de volta foi um ridículo discurso marxista nonsense. Fiquei enojado com isso e pensei que poderia haver um caminho de volta para a defesa da civilização ocidental contra esse tipo de coisa. Foi quando eu me tornei um conservador. Eu sabia que queria conservar as coisas ao és de destruí-las.”

Scruton foi também palestrante e professor de estética no Birkbeck College, Londres, de 1971 a 1992, e também em 1972 oficializou seu casamento com Danyelle, mas divorciaram-se em 1979 depois de morarem no centro de Londres.
Em 1982, ele ajudou a fundar o The Salisbury Review, um jornal de política conservadora, que fez parte por 18 anos, e também fundou durante seu trabalho o Claridge Press em 1987. Scruton participava do conselho editorial do British Journal of Aesthetics, e também era o membro sênior do Ethics and Public Policy Center.
Roger Scruton além de ter tido sua carreira no âmbito filosófico, foi responsável pela instituição de universidades acadêmicas, de forma clandestina na Europa Central durante a época da Guerra Fria, e por essa razão foi condecorado e recebeu diversos prêmios.
ROGER SCRUTON E O CONSERVADORISMO
Através da análise de duas grandes obras do autor que foram de suma importância para o âmbito filosófico e político, podemos ver seus pensamentos baseados no conservadorismo.
Em Pensadores da Nova Esquerda publicado em 1985 em que o britânico traz uma crítica ferrenha, ao analisar os pensamentos de 14 intelectuais da Nova Esquerda, e pela sua análise sobre as características e métodos usados pelos mesmos, Scruton chega a afirmar: “O tom de voz característico da Nova Esquerda deriva de uma síntese emocional. O novo intelectual advoga a velha ideia de justiça, mas acredita que justiça envolve sua própria emancipação de todo sistema, toda ‘estrutura’, toda restrição interna”.
Da mesma forma, no livro O que é o Conservadorismo, livro este que foi de suma importância na realidade política da metade do século XX, marcado pelo pós-guerra e pela Guerra Fria, Roger traz uma crítica abrangendo a realidade britânica e o Thatcherismo (Conjunto de ideologias defendidas pelo Partido Conservador após a chegada de Margaret Thatcher como líder do mesmo.) Scruton, em seu livro analisa a realidade do Partido Conservador Britânico e critica a liderança da Baronesa Thatcher, fazendo com que sua obra tornasse-se polêmica devido à popularidade dos discursos e feitos da primeira-ministra na época.
ROGER SCRUTON E A ESTÉTICA
De 1971 a 1992, Scruton lecionou sobre estética no Birkbeck, Universidade de Londres, e através da sua tese escreveu seu primeiro livro Art and Imagination (1974).
Através de seus escritos sobre a beleza originou-se o documentário “Why Beauty Matters?”, apresentado por ele na BBC.
Scruton, em suas obras nos traz sua análise sobre a importância da beleza, e ainda mais, explica-nos a importância da estética na nossa vida diária. Para Roger, a arte dá sentido à nossa existência e explica que a mesma: “(…) nos revela, a partir de exemplos de ações e paixões isentas das contingências da vida cotidiana, que ser humano de fato vale a pena.”  
Segundo sua análise, através da beleza e arte, o ser humano encontra o “sentimento de adequação” através da contemplação.
Sir Roger, critica o readymades de Marcel Duchamp, que afirmava que qualquer objeto comum, reposicionado ou modificado era considerado arte.
 Para Scruton, Marcel trouxe um relativismo para a arte, e desconsiderou técnica, originalidade e a ordem artística. O mesmo até chega a mencionar a decadência da arte de Duchamp quando fala sobre Fonte, uma de suas obras que consiste basicamente em um urinol de porcelana: “A arte tomou para si a tocha de beleza, correu com ela por um tempo e acabou deixando-a cair nos mictórios de Paris.”
Roger Vernon Scruton faleceu em 12 de Janeiro de 2020, aos 75 anos de idade, em decorrência de um câncer.
Sua morte gerou uma grande comoção, trazendo declarações feitas por políticos, celebridades e inúmeros admiradores de suas obras.
A declaração de Theodore Dalrymple, psiquiatra e escritor, foi minuciosa e comovente ao afirmar: “A obra de Scruton é tão abrangente que chamá-lo de Homem da Renascença me parece inapropriado. Ele publicou livros sobre Kant e Spinoza, sobre a obra Tristão e Isolda de Wagner, sobre a estética da música e da arquitetura, direitos dos animais, vinhos, caça, a importância da cultura, a natureza de Deus, a relação dos homens com a natureza e sobre muitos outros temas. Escreveu romances, pequenos contos e duas óperas. As palavras do Dr. Johnson para o epitáfio de Oliver Goldsmith vêm à mente: foram poucos os estilos por ele inexplorados, e em todos eles deixou sua marca.”
A morte do mais importante pensador conservador contemporâneo, e um dos maiores filósofos ingleses foi uma grande perda para todos, mas por meio de seu trabalho árduo e empenho em seus escritos, sua voz ecoa em todos os corações e é aquele que apesar de morto, ainda fala.
“O conservadorismo é a filosofia do vínculo afetivo. Estamos sentimentalmente ligados às coisas que amamos e que desejamos proteger contra a decadência.” – Roger Scruton

Livros:
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Documentários:
Why Beauty Matters? (Por que a beleza importa?) 

Entrevistas e Debates:
Como ser um conservador – Bruno Garschagen entrevista Roger Scruton
Sir Roger Scruton e Dr. Jordan Peterson: percebendo o transcendente
Ao Spotiniks e o Estado da arte (Estadão)
Roger Scruton – Conservadorismo e Revoluções
Roger Scruton – O grande pecado contemporâneo
ESQUERDA VS. DIREITA SOBRE A CULTURA – TERRY EAGLETON VS. ROGER SCRUTON
Roger Scruton on Moral Relativism