Ambiente à Direita

Ambiente à Direita

Em tempos de guerra de narrativas, direita contra esquerda, conservadores contra progressistas, várias histórias e estórias ganham força.

Na área ambiental o cenário é o mesmo. O grande problema é que as definições nesta área são trabalhadas tardiamente/erroneamente com a população (quando são) e abordam a causa com uma ótica deturpada da realidade, o que acaba por fortalecer a narrativa utilizada. O exemplo de vilanizar o pecuarista, o minerador, o madeireiro, o produtor em geral, é a aplicação de narrativas distorcidas para defender o ponto de engessar o desenvolvimento.

A falta de percepção que grande parte da população vive em relação às suas práticas dentro da temática ambiental, afeta todas as situações que vivemos na sociedade, seja no meio urbano ou rural, uma vez que o ocorre o descolamento da realidade em decorrência de falácias originadas em narrativas incompletas e erradas, em parte propagandeadas pela grande mídia. Um exemplo disso é o uso de “muletas”, como o caso dos canudos plásticos, onde um problema real é agigantado para minimizar os reais problemas que rodeiam a sociedade, desviando o foco e evitando maiores cobranças aos agentes públicos envolvidos. Mas esse tema será o assunto de outra publicação.

Na história recente do Brasil, governos de esquerda, ditos progressistas, engessaram o país com a aplicação do conceito do chamado Preservacionismo Ambiental. Esta vertente ambiental é aquele que anula ou restringe a produção econômica em relação ao aproveitamento dos recursos naturais. A Preservação dos recursos prega a “construção de um muro” no entorno de dadas áreas a fim de mantê-las intocadas ou minimamente alteradas. Alguns autores (maioria de esquerda) pregam que este é o caminho para que espécies e ecossistemas se mantenham do jeito que são hoje. Porém, o Preservacionismo acaba por afastar ainda mais a percepção de pertencimento, aumentando a tão problemática dicotomia “Homem x Natureza”. A falta de percepção de meio ambiente, promove efeitos como, por exemplo, o de pessoas residentes no Leblon, sem tratamento de esgoto em suas residências, sem coleta seletiva, com veículos caríssimos e recheados de altas taxas de poluentes em suas emissões atmosféricas, acharem que podem apontar o dedo para o que deve ocorrer na Amazônia pensando que estão “salvando o meio ambiente”.

A maioria dos movimentos ambientalistas (ONGs) são de origem progressista e pregam a preservação ambiental como solução para suas lutas. Entretanto, essa visão tira de cena o homem e consequentemente a economia humana do contexto de desenvolvimento desses ambientes.

Em contrapartida, existe o caminho do Conservacionismo, que é aquele que prega a possibilidade de exploração dos recursos naturais com tecnologias voltadas para a redução/mitigação dos impactos, além de permitir na sua concepção a presença do homem interagindo diretamente com os ecossistemas em suas relações normais, de forma inteligentemente planejada. Esta interação do ser humano com a natureza é a plena definição de meio ambiente.

Governos conservadores/liberais (de direita), conseguem mais facilmente perceber a importância da inserção do homem e de sua economia na temática ambiental, observando que a relação Homem x Natureza é vital para a conservação dos ecossistemas, justamente por permitir a inserção do manejo de recursos dentro da esfera econômica.

Assim, o desenvolvimento econômico não pode estar isolado do desenvolvimento ambiental, sendo essa relação verdadeira a base do dito Desenvolvimento Sustentável. Dessa forma, é certo afirmar que Conservacionismo é a solução para a manutenção do meio ambiente seja para progressistas de esquerda, como especialmente para os que pensam mais à direita no espectro político.

A grande verdade é que o Brasil é um país com leis altamente preservacionistas, com pouco espaço para o equilíbrio da questão ambiental com as pautas desenvolvimentistas. Assim, existe um grande caminho para Legisladores sedimentarem a trilha da inserção da atividade econômica dentro do manejo sustentável dos recursos naturais, e isso é “pra ontem”. Tirar o homem do contexto ambiental não é a saída, mas sim a solução.