Páscoa uma celebração pagã? Descubra

Páscoa uma celebração pagã? Descubra

02/04/2021 0 By Rogerio Lemos
Muita gente, caindo nas narrativas do sistema, acha que a pascoa é uma festa pagã e não cristã ou judaica e que a igreja é que se apropriou desta celebração. Muito disso se dar também por conta da palavra pascoa em inglês que significa EASTER que vem da palavra Eostre.
O termo Eostre, Ēostre, Ostara ou Ostera, que é de origem anglo-saxã –não hebraica, faz referência a deusa da fertilidade, amor e do renascimento na mitologia nórdica e germânica.
Ostara também é a deusa da primavera, da ressurreição e do renascimento, tem como símbolo o coelho (fertilidade). As regiões escandinavas, principalmente, celebravam o festival da deusa na passagem do inverno (época de muita escassez e infertilidade) para primavera (época de muita vitalidade e alegria). São destas celebrações pagãs que, vem a tradição a coleta de ovos coloridos como uma forma de celebrar a pascoa – Tradição esta que nada tem a ver com o cristianismo, mas apenas com o paganismo.
Mas então, o que isso tudo tem a ver com o Cristianismo? Se não tem nada a ver, então a pascoa é um celebração pagã?
Afinal, onde está o cristianismo nesta história? Bom, não há cristianismo na celebração da pascoa até aqui. Contudo, não é está a origem da verdadeira pascoa. Muita gente costuma referenciar a tradição cristã como tendo origem da celebração pagã e isto não passa de uma tremenda ignorância. Veja bem:
Primeiro, uma pequena introdução para contextualizar. É inegável que o surgimento dos primeiros humanos foram na região sudeste da África e que se expandiram para região do oriente médio e a Ásia posteriormente. O nascimento dos idiomas foram também nestas regiões e estes dando origens a outros idiomas mais à frente. Ou seja, o idioma algo-saxã surgiu muito tempo depois do hebraico, logo o hebraico é que tem influencias no inglês antigo.
Como estamos falando de cristianismo, temos também os relatos da bíblia sob o antigo testamento que, se passa toda a sua história nas regiões da África, Oriente Médio e até mesmo a Ásia. Logo, já se faz obvio que, para que a Pascoa tenha sido uma imitação da igreja católica sob tradição pagã, como berram por aí, seria impossível encontrar algo sobre este tema na Bíblia, concorda?
Mas só que, no capitulo de êxodos, AT, cerca de 1400 a.c já se há relato sob o termo Pascoa.
O nome e o significado da palavra “páscoa” não vem do termo em inglês, LOGICO! E muito menos do idioma anglo-saxão.
Mas no original hebraico, (פֶּסַח). O nome que a Bíblia Hebraica usa para denominar “páscoa” é pesah. Com a palavra pesah o texto bíblico quer significar duas coisas:
  • O ritual ou celebração da primeira festa do antigo calendário bíblico (Ex 12.11,27,43,48);
  • A vítima do sacrifício, isto é, o cordeiro pascal (Ex 12.21; Dt 16.2,5-6).
Antes de vermos as referências abaixo, cabe um breve resumo do contexto para melhor entendimento.
No Egito, Deus havia falado para Moisés e Arão, para que toda a congregação de Israel tomasse para si um cordeiro segundo as casas dos pais e que até o décimo quarto dia, daquele que se tornaria o primeiro mês, todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará a tarde. E o sangue do animal deverá marcar as portas. No mais, do animal deverá ser assado e comido pelos israelita (…)
“Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa pesah (Passagem do Senhor) do SENHOR.”  (Ex 12.11)
Então Deus, a noite passou pesah no Egito e matou todos os primogênitos das casas não marcadas.
“Então direis: Este é o sacrifício da páscoa pesah (Passagem, neste caso a do Senhor) ao SENHOR, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se, e adorou.”  (Ex 12.11)
“Disse mais o senhor a Moisés e a Arão: Esta é a ordenança da páscoa pesah (passagem): nenhum filho do estrangeiro comerá dela.” (Ex 12.43)
Porém se algum estrangeiro se hospedar contigo e quiser celebrar a páscoa pesah (passagem) ao SENHOR, seja-lhe circunciado todo o homem, e então chegará a celebrá-la, e será como o natural da terra; mas nenhum incircunciso comerá dela. (Ex 12.48)
Certo, aqui já quebramos o senso comum de que, a celebração da Pascoa cristã é uma invenção pagã que a igreja se apropriou.
Como vimos substantivo pesah/páscoa vem da raiz verbal psh que aparece três vezes nos relatos pascais (Ex 12.13,23,27; ler também Is 31.5; 1 Rs 18.21,26). Assim, o verbo pasah: passar por cima, saltar por cima é o significado que prevalece nos usos deste termo pelos escritores e escritoras da Bíblia. Ou seja, a celebração de pascoa não tem nada ver diretamente com fertilidade (Eostre), como aprendemos nas escolas e mídias de TV e que o ovos seriam para simbolizar isso.
Mas por que os cristões celebram a Pascoa no período em que Jesus foi crucificado?
Na pascoa não se comemora exatamente a fertilidade, mas sim a passagem, o renascimento, a ressureição de um estado estéril, morto, triste. Para um estado de, fertilidade, vida e alegria. Estas alegorias estão presente tanto nas
comemorações judaicas, que comemora a saída (passagem) do seu povo da escravidão (morte, tristeza e esterilidade) para a liberdade (vida, alegria e fertilidade)  e ida a terra prometida (paraíso). Algo que foi dado por Deus através do sacrifício de um cordeiro que com o sangue deste animal tiveram seu lares marcados.
Quanto nas
Comemorações cristãs, que têm no sacrifício, do cordeiro Jesus a passagem da sua morte para a sua ressureição que através de seu sangue marcará todos os seus que, sairão do pecado (escravidão, tristeza e esterilidade) para a libertação (vida, alegria e fertilidade) e irão para o paraíso (“terra” prometida).
Pois, como se sabe Jesus foi a Jerusalém para as comemorações da Pessach, ou Páscoa Judaica, Quando foi preso, torturado e crucificado na cruz. Segundo os Evangelhos, Jesus foi crucificado na sexta-feira e teria ressuscitado exatamente no domingo da Pessach, razão pela qual a Páscoa passou a ter um novo significado: agora não mais a libertação do povo judeu da escravidão no Egito, mas a ressurreição de Cristo,  libertando o homem do pecado (escravidão). Apesar de que em ambos os casos se celebra uma “libertação do povo de Deus. Porém, mais uma vez temos a ênfase do significado original da palavra pascoa que é passagem da morte para a vida eterna (ressureição) e sacrifício do cordeiro pois
“Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo” (João, 1:29).
“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito (Para morrer por nós/sacrifico), para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16
Já nos primeiros anos da década de 50 do século I, Paulo, escrevendo de Éfeso aos cristãos de Corinto[22] utilizou o termo Pesa para fazer referência a Cristo.
Origem da Palavra Easter, por que ela também significa pascoa?
Todas as palavras em inglês são de origem do Anglo-saxão e que possuem também influencias de outros idiomas assim como qualquer outra língua. Ou seja, não passam de um efeito dominó que se estende a milênios, portanto, ao buscarmos quaisquer origem ou etimologia de palavras, iremos aprofundar até o grego, hebraico, aramaico e outros idiomas primitivos.
Logo não é diferente com o termo em inglês é Easter, cognato* com alemão moderno 
Ostern, derivado do Anglo-Saxão Ēastre ou Ēostre. Que por sua vez deriva da palavra Ester “estrela” que vem do hebraico Esther​, que tem relação com o sentido do persa Stara, do caldeu Ishtar.
Istar que é a referência a uma antiga deusa mesopotâmica associada ao amor, ao erotismo, a fecundidade e a fertilidade.
O nome Istar provavelmente está também etimologicamente relacionado ao nome do deus semita ocidental Attar que tem como significado estrela da manhã e da tarde ou seja o Sol.
Ou seja, a partir do termo mais antigo encontrado que é Attar que significa sol, nós temos outras sucessões de referências até chegar no Easter. E essas referências vão ampliando cada vez mais o significado das palavras, lógico que dentro do cognato.
Exemplo:
Ishtar que, como vimos, vem do termo Attar, já tem seu sentido ampliado também a fertilidade. Já que os tempos de sol (Attar) são os tempos de mais fertilidade no solo.
Já o termo Ester passou a ser usada pelos judeus também para se referir a renascimento já que a estrela sol renascia todos os dias. Ou seja a palavra Ishtar (fertilidade) levada ao judaico teve mais um novo cognato.  
E é na fertilidade que há o renascimento assim como o sol renasce todos os dias.
Já dentro do Anglo-saxão temos está palavra com a pronuncia Ostern, germânica que partiu para seguir de referência a outros idiomas e a pronuncia Ēastre ou Ēostre que partiu para seguir de referência ao inglês que é o que nós estamos tratando.
Ēastre ou Ēostre carregados com seus significados de termos mais antigos, passaram então a também representar uma deusa nórdica que simbolizava a fertilidade, amor e o renascimento.
Easter o termo mais moderno,
Por que o termo Easter é referência a Pascoa?
Toda explicação acima nos traz para a seguinte conclusão a seguir.
Na verdade, o termo Easter para simbolizar a Pascoa cristã nada mais é devido a desconhecimento ou descontrucionismo do que real significado do que é Pascoa.
Como supracitado, Pascoa não significa somente a fertilidade que é um dos principais significados do termo Easter, mas sim uma passagem, de um período ou estado de alma e coisas ruins, sem vida, infértil para um período ou estado de alma e coisas boas, férteis.
No caso, o termo mais correto em inglês para se referenciar a pascoa, deveria ser o mesmo utilizado pelos judeus que é Passover (Pessach).